Palavra Encarnada

Mal traçada prosa versejada,

letra vivida e displicente

A literatura atura?

…da manhã…

à cor, dei nome de flor, após sentir o cheiro do sol invadir meu quarto e se pendurar nas cortinas, nas paredes, no teto até enfim se alojar nas minhas narinas…

ADOREI!!!!!!!!!!!!!

Milton Nascimento e Maria Rita

…por um dia sem fim…

O meu amor é viageiro e cria chagas em meu juízo quando estou de longe das cores que festejam suas chegadas. É que sem tuas vindas, sinto falta de um raio de sol que realmente aqueça e então a cada vez que o sol mente calor, eu finjo que acredito e vou pensando ardente no quanto gosto de como os meus olhos ficam coloridos quando te ouço, e de como eles chispam um brilho tão diferente, como há tempos não brilhavam. 
De longe do que pintam os seus passos, meu reflexo é um vagabundo que erra miseravelmente insone por noites e dias de paisagens áridas; o espelho das minhas retinas fica fosco… Contudo se te vejo, é como se me retornasse pra mim e então olhamo-nos sem pressa, com aquele sorriso de olhos e lábios. Somos animais com alma de anjo… Teus olhos são a visão que é minha cura, o meu remédio… 
A sua luz desacaredita os meus tudos em nadas que se me apresentam quase surrealistas, como um dia em que o sol nasce à noite, ou como um Miró pendurado em paredes de Gaudí. Eu pinto aquarelas em calçadas de cimento, nas praças e ruas por onde vago, desenhando bobagens sob um sol bem quente que faça evaporar toda lágrima e toda dor, pra que não haja espera por tempos de curas das feridas que parecem abrir a cada noite de lua em que meus olhos não te podem mais enxergar num sorriso franco, dizendo que de todas as minhas cores, a que mais gostas é do meu sorriso branco… 
…e eu me sinto abraçada e em par com a melhor parte da vida, posto que meus abraços pra ti vivem prontos, espreitando seu sorriso e esperando acontecer sem freios… Meus suspiros entoam canções em mi menor.
…mas sempre chega um tempo ressequido em que até mesmo a cura cessa e até o amor é capaz de me arder o peito, ferir-me a alma, ainda que sem o saber… e se me escondo, me incrimino de meu próprio abandono. Se me mostro, me abandono na idéia de não ser mais por mim, vou perdida, flores sob os pés, que seguem outras viagens em busca de outras cores pros meus amores, pros sonhos…
É na quase tristeza do que procuro, que esqueço a velha idéia de ser por mim, absoluta e só …não me deixo ser nem triste, nem calada. Canto calor sedento, serenata pra as luas de meus verões de claras cores, que dissipam dúvidas em festas e sorrisos. 
Busco em mim um dia sem fim, longe da realidade do tempo, sem acreditar no que eu não quero. Quando o corpo evoca os pensamentos que eu não quero, sonho outra vida pros meus passos e faço festas entre meus próprios cabelos, afagando as idéias pra não deixar que o meu corpo chore ausências, enquanto busca outras curas, outras luas e outros verões…

Jo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay… =p
newyorkcrystal:

Hey guys. So my Aunt got me a MacBook air for my birthday but she didn’t know that I already have one. I can’t take it back. So I decided to give it away to one of my followers on here, it doesn’t matter what country you live in. You just have to re-blog this and be following me. I’ll pick a random winner on valentines day. 

Jo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay… =p

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(Source: crystalc0uture, via sewndt)

Absurda

Ainda há pouco, jurava ter enxergado o agora-já. Absurda. Seguia as mariposas em volta de sua lâmpada sem gênio. Pouco importa tudo ou nada disso. Na verdade, nada importa. Tudo aquilo era uma bobagem autoral. 

Babava, quando dormia profundamente e sonhava. Absurda. Vivia fábulas e sagas de cordel a noite toda. Ficção científica era boa companhia. Difícil é saber se vida real é verdade e sonho é holograma…

Maquinava cenários, como quem vivia um teatro. Absurda. Até as nuvens eram objeto pra arquitetura ou tangram. Pensava quase lego, o tempo todo, aliás. Colorido, infinito… a vida, o dia, a sorte… ORIGAMI.

Absurda. Tinha como certo que amor também evapora…

…de cor…

à cor dada, 


não se olha o matiz…

A casa

Quando nos mudamos pr’aquela casa, fiquei com todas as chaves, menos a daquele cômodo, que você insistia que fosse só teu e ao qual eu não tinha nenhum acesso. No início isso não me incomodava de nenhum jeito, mas ao passo que você ia se recolhendo cada dia mais para dentro daquele quarto, cuja dimensão eu desconhecia, passei a sentir saudade de seus passos pelo corredor, que foi ficando cada dia mais com cor de solitude.

Acho que você nunca abria nem mesmo as janelas, quando ali se trancava e eu ficava passando por perto tentando ouvir os sons que te cercavam ali dentro. Em vão. Por vezes, cheguei a dormir à sua porta, mas você nunca percebia que eu tinha estado ali a noite toda de vigília e me dizia um bom dia cada dia mais distante, me provocando alguns continentes de saudades tuas.

E pelo resto da casa, eu ia pendurando cortinas desenhando com cores e luzes pelos cômodos restantes, espalhava flores e livros, mas nada disso era capaz de capturar um segundo de atenção. Todo dia você se trancava ali naquele cômodo e eu ficava olhando a lua pela janela, tentando entender coisas que não tinha explicação. Nem razão…

Dos ciclos

Sem nome, sem sombra, sem direção. Era assim que eu errava, mesmo quando pensava ter mirado o alvo corretamente. Alguma coisa desviava a flecha e o meu olhar, como um vagabundo rumava em outra direção. E eu errava. Porque o erro era a coisa mais certa em meus dias. Se eu admitia meus erros? Talvez. Mas é fato que eles, não só eram meus, como faziam parte de mim.  

Eu tinha autoridade pra comandar minha vida. E era independente, mesmo pra errar. Acho que talvez por ter independência é que errasse eventualmente e buscasse excessivamente uma felicidade fora de mim. 

Até que descobri que o que não está contido em minha vida, mas não me contém é temporário. Nesse dia chorei como criança, porque talvez percebera que nunca cultivara de verdade uma referência em mim mesma, acatando mais os conselhos alheios que meus próprios desígnios.

Então naquele dia, como se me libertasse, soltei as amarras e deixei o barco vagar a esmo, mas sabia que não estava à deriva. Era independente e deixei de estar qualquer coisa para apenas ser, deixando que a lua transitasse sem tentar deter a influência de seus ciclos. 

Parti. Sem nome, sem sombra, sem direção…